30 de março de 2010

Sobre a solidão.





Nunca escrevi para você, sempre escrevi sobre você. E é por isso que eu continuo escrevendo sobre a solidão.

Certa vez, um cigano deveras divertido, com um charuto no canto da boca, uma xícara de café na mão e um português um tanto quanto estranho, me disse que eu não deveria entregar meu coração a qualquer um. Automaticamente, lembrei da chave do meu coração, que não me pertencia mais. Isso não me fez sorrir. Ah, como eu queria ela de volta, porque, afinal, o coração é meu, certo?

Enquanto eu tentava escrever em palavras simples, para que em um dia eu viesse a ler isso aqui de novo, e conseguisse entender o que se passou, tive uma breve conversa com uma querida amiga, que por estar pressa a um homem possessivo (como eu odeio essa palavra!) não participava mais do grupinho que, sem sombra de dúvida, foi o melhor.

Acabei percebendo que somos tão parecidas, que cometemos os mesmos erros. Acabamos nos apaixonando por homens sugadores de vida, comedores de coração e grossos por natureza. E hoje, eu vejo de longe você sofrer, como eu sofri. Eu vejo um insignificante homem tirar a liberdade de uma mulher indomável.

Mas eu não me preocupo, porque eu sei que vamos continuar a fechar a porta na cara destas pobres almas. Choraremos por toda a noite e no outro dia colocaremos nosso tênis mais sujo e aquela velha camisa de flanela. Agradeceremos a toda sinergia que nos transcendem por mais essa merecida solidão.

Não pararemos de fumar cigarros, continuaremos a ler o que nos interessa e não nos importaremos com aqueles que ficaram do outro lado da porta.



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