4 de abril de 2010

Verdades.

A vingança é um prato frio em que você pode se lambuzar. É um quarto escuro, um poço fundo que você pode se afogar. São dois lados dessa moeda chamada obsessão. Amor e ódio moram juntos e dividem o mesmo coração. Eu bem sei que de perto ninguém é tão normal, não consigo evitar o desprezo e o vulgar. E não vai parar.

O pecado mora ao lado. Café na cama, traição. Abraços, arame farpado. Não há luz sem escuridão.Todo dia, toda hora, todos sentem desejos. Mas sempre correrá uma lágrima em um momento triste. Alguém dirá que tudo já passou, mas quem sabe é você. E não esqueça, o tempo passa de qualquer maneira, você querendo ou não.

Não vou permitir silêncios porque é aí que o meu fundo transborda e a tristeza pode me tomar sem saída. Eu vou continuar deixando a minha cabeça me martelar porque toda essa confusão é ainda menos assustadora do que a calmaria da verdade.

A verdade é a frieza do mundo, é a podridão dos desejos, são as mentiras que a gente inventa para os outros e acaba acreditando. A verdade é que mais cedo ou mais tarde você será traído, porque todo mundo tem medo de viver a entrega. A verdade é que ninguém se entrega porque ninguém se tem. A verdade é que não estamos aqui, estamos em algum lugar seguro vivendo nossas vidas medíocres. A verdade é que todo esse perfume é vergonha de nossa essência, todas essas marcas são vergonha do nosso corpo, todo esse charme despretensioso é vergonha de nossas fraquezas. A verdade é que nada é inteiro porque até o inteiro para ser todo precisa ter seu lado vazio. A verdade é que não dá para fugir da dor.

Eu vejo a cidade da minha janela, debruçada em meus erros. Eu já vivi de tudo um pouco, mas tô esperando um truque novo, que me largue do alto de um abismo.

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