
Eu enxergo o tangível mas não vejo nada. Enxergo o vazio e sinto a ausência. Vejo o exagero nas coisas banais e a falta de perspectiva nos pequenos momentos.
A leviandade me afeta cada dia mais e toda essa contundência se faz maior, pois esse é o resultado da carência da realidade. Mas parar não faz sentido e por isso eu dou todo o meu desprezo porque a tristeza é uma maneira de se salvar.
Tudo isso parece um filme sem fim. O encanto se quebra e todo mundo se esquece o que é o amor. Eu fiz de um verso a minha solidão e entre pedras e espinhos eu caminho. Transpareço toda essa dor porque acordo sem dormir. Mas tudo é tão vago, que ninguém liga. E depois das mágoas que vivemos, esquecemos, sem saber que a felicidade é um estado imaginário. Ataco se isso for preciso, sou eu quem escolho e faço os meus inimigos. Mesmo assim eu continuo sem ver nada.