Toda vez que toca o telefone eu penso que é você. Toda noite de insônia eu penso em te escrever pra dizer que o teu silêncio me agride e não me agrada ser um calendário do ano passado. Pra dizer que teu crime me cansa e não compensa entrar na dança depois que a música parou. Eu penso em te escrever. Escrever uma carta definitiva, que não dê alternativa pra quem lê. Te chamar de carta fora do baralho. Descartar, embaralhar você, e fazer você voltar.
Havia um tempo em que nada nos dividia. Havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais. Era perfeita simetria. Éramos duas metades iguais.
O teu maior defeito talvez seja a perfeição, tuas virtudes talvez não tenham solução. Deixe de lado os compromissos marcados, perdoa o que puder ser perdoado, esquece o que não tiver perdão e vamos voltar aquele lugar.
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